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Cirurgia percutânea de joanete tem riscos? O que mostram 1.088 cirurgias

Texto revisado pelo Dr. Pedro Barreto, CRM-RJ 52.97312-2, RQE 43498.Publicado em 1 de outubro de 2026.

Dr. Pedro Barreto apresentando a radiografia de um pé em evento médico

Numa revisão de 17 estudos com 1.088 cirurgias percutâneas de joanete, a complicação mais comum foi o parafuso incomodar a ponto de precisar ser retirado, em 6,2% dos casos. Alteração de sensibilidade e volta do desvio apareceram em 2,2% cada, e infecção em 1,1%. Somando todas, as complicações ficaram em 16,6%, e a nova cirurgia por volta do desvio foi necessária em 0,6%. Esses números vêm de estudos e não representam o resultado de um caso individual. Em Campos dos Goytacazes, o Dr. Pedro Barreto faz a cirurgia percutânea de joanete e, na consulta na Neortho, explica como esses riscos se aplicam ao seu pé.

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Como é feita a cirurgia percutânea de joanete

A cirurgia percutânea corrige o osso por incisões de poucos milímetros, sem abrir a lateral do pé. Pelas pequenas aberturas, o cirurgião usa uma fresa fina, de baixa rotação, para fazer um corte controlado no primeiro metatarso. Em seguida, desloca a cabeça do osso para a posição correta e fixa com parafusos, que ficam por dentro do pé. Todo o procedimento é acompanhado por raio-x na sala de cirurgia, porque o cirurgião não vê o osso diretamente.

As técnicas atuais são chamadas de terceira e quarta geração. A Sociedade Americana de Ortopedia do Pé e Tornozelo (AOFAS) descreve a terceira geração como uma variação do corte em "V" (osteotomia de chevron) com um ou dois parafusos. Na maioria dos casos, soma-se um pequeno corte na base do dedão (a osteotomia de Akin), que ajuda a alinhar o dedo. A quarta geração troca o corte em "V" por um corte transversal, também fixado com parafusos.

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Como o joanete é corrigidoVer no Instagram

Para quem a técnica é indicada

A técnica percutânea é indicada para joanetes leves a moderadamente graves, segundo a AOFAS, que a reconhece como opção de tratamento e afirma que não a considera experimental. A decisão depende de duas medidas que a radiografia com apoio mostra: o ângulo do desvio e o estado da articulação do dedão.

Em desvios muito grandes ou com artrose avançada da articulação, outras técnicas podem ser mais adequadas. A cirurgia de joanete, qualquer que seja a técnica, é indicada pela dor e pela limitação, depois que o tratamento sem cirurgia deixou de dar conta.

Riscos da cirurgia percutânea de joanete, em números

A revisão sistemática de Gonzalez e colegas, publicada em 2023, reuniu 17 estudos e 1.088 cirurgias percutâneas feitas com fresa e fixadas com parafusos, com acompanhamento médio de 23,8 meses (entre 12 e 59 meses, conforme o estudo). Estas foram as taxas encontradas:

ComplicaçãoFrequência
Parafuso incomodando, com necessidade de retirada6,2%
Alteração de sensibilidade por lesão ou irritação de nervo2,2%
Volta do desvio (recidiva)2,2%
Infecção1,1%
Osso que não consolida (pseudoartrose)0,4%
Dor transferida para a planta do pé (metatarsalgia de transferência)0,09%
Dedão desviado para o lado oposto (hálux varo)0,09%
Perda de circulação na cabeça do osso (necrose avascular)nenhum caso na revisão

Somadas, as complicações ficaram em 16,6%. A nova cirurgia por volta do desvio foi necessária em 0,6% dos casos. Esses números vêm de estudos publicados e servem de referência. Eles não representam o resultado de um caso individual.

A lista geral de riscos da cirurgia de joanete, da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS), inclui ainda rigidez da articulação do dedão e dor que não melhora como esperado, além dos já citados.

Sobre a volta do desvio. Os 2,2% de recidiva vêm da revisão de Gonzalez, com acompanhamento médio de cerca de 2 anos. Um estudo de Lewis e colegas, publicado em 2023 na Foot & Ankle International e citado pela AOFAS, acompanhou pacientes por 5 anos e encontrou volta do desvio na radiografia em 7,7% dos casos. Segundo a AOFAS, essa taxa é comparável à descrita em médio prazo para a cirurgia aberta (de 3,6% a 11,3%), e 3 dessas recidivas ocorreram entre os 9 pés com desvio grave antes da cirurgia (ângulo acima de 40 graus). Esse é um dos motivos pelos quais a indicação da técnica depende do grau do desvio.

Mãos com luvas cirúrgicas posicionando o pé do paciente no centro cirúrgico

Percutânea e cirurgia aberta: o que dizem as comparações

Na comparação com a cirurgia aberta, as metanálises encontraram resultados semelhantes. A de Alimy e colegas, de 2023, reuniu 6 ensaios randomizados e 1 estudo prospectivo, com 395 pés, e não encontrou diferença em resultado clínico, correção na radiografia, taxa ou gravidade de complicações e tempo de cirurgia. A de Ji e colegas, de 2022, com 1.628 pés, também encontrou correção e pontuação funcional parecidas no resultado final. A percutânea tem incisões menores, e alguns estudos registraram um pouco menos de dor nas primeiras semanas.

As duas técnicas têm lugar. A escolha depende do tipo de joanete, e a cirurgia aberta continua sendo o caminho em vários casos.

Como reduzir os riscos

Parte do risco depende da indicação correta, e parte depende do que a paciente faz antes e depois da cirurgia.

Parar de fumar. Num estudo com 602 pessoas operadas na parte da frente do pé, publicado em 2015, as fumantes ativas tiveram complicações em 36,4% dos casos, contra 8,5% entre quem nunca fumou. O risco foi 4,3 vezes maior, com mais atraso na consolidação do osso, infecção e demora na cicatrização da pele. Os números vêm de estudos e não representam o resultado de um caso individual.

Contar ao cirurgião sobre outras doenças. Quem tem diabetes, problema de circulação ou doença reumática deve falar disso na consulta, porque o cirurgião pode pedir exames ou a avaliação de outro médico antes de marcar a cirurgia.

Seguir a indicação da técnica. Joanetes graves ou com artrose do dedão podem pedir outra técnica. Nos estudos, a volta do desvio foi mais frequente nos joanetes graves.

Cuidar do pé em casa. Pé elevado nos primeiros dias, curativo seco e intacto, uso da sandália pós-operatória pelo tempo orientado e comparecimento aos retornos com radiografia.

Não voltar ao sapato apertado todos os dias. A AAOS lembra que o calçado apertado, uma das causas do joanete, pode favorecer a volta do desvio.

O que é normal e o que não é no pós-operatório

Inchaço, roxo e alguma dor fazem parte da recuperação e diminuem aos poucos. Os sinais de alerta são diferentes e pedem contato com o médico antes do retorno marcado.

Costuma ser esperadoPede contato com o médico
Inchaço que piora no fim do dia e melhora com o pé elevadoFebre que não passa ou calafrios
Roxo no pé e nos dedos nas primeiras semanasCalor ou vermelhidão persistentes em volta do curativo
Dor que diminui semana a semana, controlada com a medicaçãoDor que aumenta em vez de diminuir
Pé um pouco inchado por 6 meses a 1 anoInchaço importante ou dor na panturrilha
Dedão mais rígido nos primeiros mesesDormência ou formigamento no dedão que não melhora

A coluna da direita vem da lista de sinais de alerta da AAOS, com o acréscimo da alteração de sensibilidade, que aparece entre as complicações da revisão de 2023. Dor ou inchaço na panturrilha pedem contato com o médico no mesmo dia, para que ele avalie e afaste uma trombose. A recuperação semana a semana está detalhada no artigo de recuperação.

Perguntas frequentes

Quais os riscos da cirurgia percutânea de joanete?

Os mais frequentes na revisão de 1.088 cirurgias foram o incômodo com o parafuso (6,2%), a alteração de sensibilidade (2,2%), a volta do desvio (2,2%) e a infecção (1,1%). A falta de consolidação do osso ficou em 0,4%.

Vou precisar tirar os parafusos?

Na maioria das vezes, não. A retirada foi necessária em 6,2% dos casos da revisão, quando o parafuso incomodava.

O joanete pode voltar depois da cirurgia percutânea?

Pode. A revisão de Gonzalez encontrou recidiva em 2,2%, com cerca de 2 anos de seguimento. O estudo de 5 anos de Lewis encontrou 7,7% na radiografia, mais frequente nos joanetes graves.

A cirurgia percutânea é mais arriscada que a aberta?

As metanálises que compararam as duas técnicas não encontraram diferença na taxa nem na gravidade das complicações. A escolha da técnica depende do tipo de joanete.

A cirurgia percutânea é experimental?

Segundo a AOFAS, não. A entidade reconhece a técnica como opção para joanetes leves a moderadamente graves e afirma que não a considera experimental.

O formigamento no dedão depois da cirurgia é normal?

Alteração de sensibilidade apareceu em 2,2% das cirurgias da revisão. Qualquer dormência que não melhora deve ser contada ao médico no retorno ou antes dele.

Sobre o Dr. Pedro Barreto

Ortopedista e traumatologista com atuação em cirurgia do pé e tornozelo em Campos dos Goytacazes. Residência no Hospital Naval Marcílio Dias, passagem pelo HC FMUSP na área de Medicina Esportiva e fellowship em cirurgia do pé e tornozelo no Hospital Municipal Lourenço Jorge. Membro titular da SBOT. Atende na Neortho, no Centro.

Conhecer a trajetória

Referências

  1. Gonzalez T, Encinas R, Johns W, Jackson JB. Minimally Invasive Surgery Using a Shannon Burr for the Treatment of Hallux Valgus Deformity: A Systematic Review. Foot & Ankle Orthopaedics, 2023. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9893087/
  2. American Orthopaedic Foot & Ankle Society (AOFAS). Position Statement: Minimally Invasive Surgery for Hallux Valgus Deformity, nov/2024. www.aofas.org/docs/default-source/research-and-policy/positi…
  3. Alimy AR et al. Does Minimally Invasive Surgery Provide Better Clinical or Radiographic Outcomes Than Open Surgery in the Treatment of Hallux Valgus Deformity? A Systematic Review and Meta-analysis. Clinical Orthopaedics and Related Research, 2023. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36332131/
  4. Ji L et al. Minimally Invasive vs. Open Surgery for Hallux Valgus: A Meta-Analysis. Frontiers in Surgery, 2022. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8978717/
  5. Bettin CC et al. Cigarette smoking increases complication rate in forefoot surgery. Foot & Ankle International, 2015. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25583954/
  6. American Academy of Orthopaedic Surgeons, OrthoInfo: Bunion Surgery. www.orthoinfo.org/treatment/bunion-surgery/
  7. Lewis TL et al. Five-Year Follow-up of Third-Generation Percutaneous Chevron and Akin Osteotomies (PECA) for Hallux Valgus. Foot & Ankle International, 2023. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36692121/

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. A indicação de tratamento depende da avaliação individual.

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