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Neuroma de Morton: tratamento da dor na planta do pé entre os dedos

Texto revisado pelo Dr. Pedro Barreto, CRM-RJ 52.97312-2, RQE 43498.

Dr. Pedro Barreto sorrindo, de camisa azul

O neuroma de Morton é o espessamento de um nervo que passa entre os dedos do pé, quase sempre entre o terceiro e o quarto. Ele causa queimação ou pontada na planta do pé, com a sensação de pisar numa pedrinha. O tratamento começa sem cirurgia, com calçado largo, palmilha e, quando preciso, infiltração guiada por ultrassom. A cirurgia fica para quem continua com dor. Em Campos dos Goytacazes, o Dr. Pedro Barreto avalia e trata o neuroma de Morton na Neortho.

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O que é o neuroma de Morton

O neuroma de Morton é um espessamento do tecido em volta de um dos nervos que levam sensibilidade aos dedos. Esses nervos passam entre as cabeças dos ossos metatarsos, na planta do pé, logo antes dos dedos. Apesar do nome, trata-se de uma alteração benigna, sem relação com câncer.

O local mais comum é o espaço entre o terceiro e o quarto dedos. O segundo lugar é o espaço entre o segundo e o terceiro. Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos, o neuroma é cerca de 8 vezes mais frequente em mulheres e aparece mais entre os 30 e os 60 anos.

Gravura anatômica do pé e do tornozelo, com tendões e vasos

O que provoca

A causa exata ainda não é conhecida. A explicação mais aceita é a compressão repetida do nervo no espaço estreito entre os metatarsos, que provoca irritação e espessamento do tecido em volta.

O que aumenta essa compressão:

  • sapato de bico fino, que aperta os ossos da frente do pé uns contra os outros;
  • salto alto, que joga o peso do corpo para a frente do pé;
  • atividades com muito impacto ou apoio na ponta do pé, como corrida e dança;
  • alterações no formato do pé, como joanete, dedos em garra, pé plano ou pé cavo.

Sintomas

Os sintomas mais comuns do neuroma de Morton são:

  • queimação ou pontada na planta do pé, que pode correr para os dedos;
  • sensação de pisar numa pedrinha ou de ter uma dobra na meia;
  • formigamento ou dormência entre dois dedos;
  • piora com sapato apertado e salto, e alívio ao tirar o sapato e massagear o pé.

A dor à noite, em repouso, é rara segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos. Quando ela aparece, vale investigar outras causas.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pelo exame do pé. O Dr. Pedro aperta cada espaço entre os dedos e comprime a frente do pé de lado, procurando o ponto que reproduz a dor e o estalo típico do neuroma.

A radiografia com apoio afasta fraturas por estresse e mostra alterações da pisada. O ultrassom confirma o neuroma e mede o tamanho. Um detalhe importante é que o ultrassom encontra espessamentos nesses nervos também em pés sem dor: num estudo de 2026 com 226 pacientes, 76% das pessoas com dor em um só pé tinham alteração também no outro. Por isso, o exame de imagem só vale junto com o exame clínico.

Outras causas de dor na mesma região, como a metatarsalgia, a inflamação da bolsa entre os metatarsos (bursite) e a lesão da placa plantar, entram na avaliação.

Tratamento sem cirurgia

O tratamento do neuroma de Morton começa sempre sem cirurgia. As medidas principais são:

  • sapato de bico largo e salto baixo, com sola firme;
  • palmilha com apoio metatarsal (uma elevação logo atrás da dor), que abre o espaço entre os ossos e alivia a pressão no nervo;
  • redução temporária das atividades de impacto;
  • anti-inflamatório nas crises, com orientação médica.

Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos, a troca de calçado e a palmilha trazem alívio para até metade das pessoas. Os números vêm de estudos e não representam um caso individual.

Dr. Pedro Barreto à mesa do consultório

Infiltração guiada por ultrassom

A infiltração com corticoide e anestésico, feita no espaço entre os dedos, é a opção seguinte quando o calçado e a palmilha não bastam. Uma revisão Cochrane de 2024 concluiu, com certeza moderada, que a infiltração guiada por ultrassom provavelmente reduz a dor e melhora a função mais do que a infiltração feita sem guia.

O efeito do corticoide em si ainda é discutido. Num ensaio com 131 pacientes, todos com a agulha guiada por ultrassom, quem recebeu corticoide com anestésico estava melhor em 3 meses do que quem recebeu só anestésico. A mesma revisão Cochrane, somando dois ensaios, considerou essa diferença incerta.

Num ensaio espanhol de 2022, com acompanhamento de até 3 anos, mais de 75% dos pacientes que receberam a infiltração guiada relataram alívio mantido. Os efeitos adversos descritos na revisão Cochrane foram pouco frequentes, como afinamento da pele, clareamento da pele e perda da gordura da sola do pé no local, e ocorreram menos com o ultrassom (4,9%) do que sem ele (12,7%). Os números vêm de estudos e não representam um caso individual.

Quando a cirurgia é indicada

A cirurgia é indicada quando a dor continua depois de 3 a 6 meses de tratamento sem cirurgia, segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos. Existem dois caminhos:

  • descompressão: libera o ligamento que aperta o nervo e preserva a sensibilidade;
  • neurectomia: retira o trecho doente do nervo. A região entre os dois dedos fica com a sensibilidade diminuída.

Segundo a mesma fonte, os estudos descrevem alívio da dor em 80% a 95% dos casos no longo prazo. O apoio do pé costuma ser liberado desde o início, num sapato de sola rígida, e a volta ao sapato comum fica em torno de 4 semanas, prazo que varia de pessoa para pessoa. Um estudo brasileiro avaliou 160 pacientes operados pela retirada do neuroma com um corte transversal na sola do pé, acompanhados por uma mediana de 7 anos, e registrou resultado bom em 89% deles. A volta da dor foi descrita em 5% a 20% dos casos e pode exigir novo tratamento. Os números vêm de estudos e não representam um caso individual.

O que acontece se não tratar

O neuroma de Morton não é uma condição grave e não se espalha para outras partes do corpo. Sem tratamento, a dor tende a continuar enquanto a compressão do nervo continuar, e pode ficar mais frequente, limitando o calçado, as caminhadas e o exercício. As medidas simples são o primeiro passo recomendado e, em parte das pessoas, bastam para controlar a dor.

Perguntas frequentes

O que provoca o neuroma de Morton?

A compressão repetida de um nervo no espaço estreito entre os ossos da frente do pé. Sapato de bico fino, salto alto e atividades de impacto aumentam essa compressão.

O que acontece se não tratar?

O neuroma não é grave, mas a dor tende a continuar e pode limitar o uso de sapatos e as atividades do dia a dia.

Como desinflamar o neuroma de Morton?

O alívio vem de tirar a pressão do nervo: calçado largo e baixo, palmilha com apoio metatarsal e menos impacto por um tempo. Gelo e anti-inflamatório ajudam nas crises, com orientação médica. Quando isso não basta, a infiltração guiada por ultrassom é a próxima opção.

Qual o melhor tênis para quem tem neuroma de Morton?

Um tênis com a parte da frente larga, que não aperte os dedos de lado, salto baixo e sola firme com bom amortecimento na frente do pé. Tênis com sola curva na ponta (tipo rocker) reduzem a dobra do pé na passada e podem ajudar algumas pessoas. A palmilha com apoio metatarsal pode ser colocada dentro do tênis.

Neuroma de Morton é câncer?

Não. É um espessamento benigno em volta do nervo.

Palmilha resolve?

Ela alivia a dor em parte das pessoas, principalmente junto com a troca de calçado. Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos, essas medidas trazem alívio para até metade dos pacientes.

Depois da cirurgia, fico sem sensibilidade no dedo?

Na neurectomia, a região entre os dois dedos fica com a sensibilidade reduzida. Na descompressão, o nervo é preservado. O Dr. Pedro explica na consulta qual técnica é indicada para o seu caso.

Sobre o Dr. Pedro Barreto

Ortopedista e traumatologista com atuação em cirurgia do pé e tornozelo em Campos dos Goytacazes. Residência no Hospital Naval Marcílio Dias, passagem pelo HC FMUSP na área de Medicina Esportiva e fellowship em cirurgia do pé e tornozelo no Hospital Municipal Lourenço Jorge. Membro titular da SBOT. Atende na Neortho, no Centro.

Conhecer a trajetória

Referências

  1. American Academy of Orthopaedic Surgeons, OrthoInfo: Morton's Neuroma. www.orthoinfo.org/en/diseases--conditions/mortons-neuroma/
  2. Matthews BG et al. Treatments for Morton's neuroma. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2024 (6 ensaios, 373 participantes). pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10853972/
  3. Matthews BG et al. The effectiveness of non-surgical interventions for common plantar digital compressive neuropathy (Morton's neuroma): a systematic review and meta-analysis. Journal of Foot and Ankle Research, 2019 (25 estudos). pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30809275/
  4. Santiago FR et al. Long-term comparison between blind and ultrasound-guided corticoid injections in Morton neuroma. European Radiology, 2022. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35726101/
  5. Thomson CE et al. Methylprednisolone injections for the treatment of Morton neuroma: a patient-blinded randomized trial. Journal of Bone and Joint Surgery (Am), 2013 (131 pacientes). pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23636185/
  6. Nery C et al. Plantar approach for excision of a Morton neuroma: a long-term follow-up study. Journal of Bone and Joint Surgery (Am), 2012 (160 pacientes avaliados, mediana de 7,1 anos). pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22488622/
  7. Jaklin FJ et al. Rethinking Morton's neuroma: a sonographic study of bilateral prevalence and symmetry. Journal of Orthopaedic Surgery and Research, 2026 (226 pacientes). pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13543377/

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. A indicação de tratamento depende da avaliação individual.

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