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Dor no tendão de Aquiles: tendinite, entesopatia e tratamento em Campos dos Goytacazes

Texto revisado pelo Dr. Pedro Barreto, CRM-RJ 52.97312-2, RQE 43498.

Dr. Pedro Barreto correndo na prova de triatlo de Macaé

A dor no tendão de Aquiles, atrás do tornozelo ou no ponto onde ele se prende ao calcanhar, costuma vir de uma sobrecarga do tendão, chamada de tendinopatia (o nome popular é tendinite). O tratamento com mais evidência é um programa de exercícios de fortalecimento da panturrilha, feito por cerca de 12 semanas, junto com ajuste do treino e do calçado. A cirurgia fica para quem não melhora depois de cerca de 6 meses de tratamento bem feito. Em Campos dos Goytacazes, o Dr. Pedro Barreto avalia e trata a dor no tendão de Aquiles na Neortho.

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O que é a dor no tendão de Aquiles

A dor no tendão de Aquiles é, na maioria das vezes, uma tendinopatia, que é o desgaste do tendão por excesso de carga. O Aquiles é o maior tendão do corpo e liga os músculos da panturrilha ao osso do calcanhar (o calcâneo). Ele trabalha em cada passo, em cada subida de escada e, principalmente, em cada passada de corrida.

Quando a carga passa do que o tendão consegue absorver, as fibras começam a se desorganizar, o tendão engrossa e dói. O nome popular "tendinite" sugere inflamação. Como o processo envolve mais desgaste das fibras do que inflamação, o termo técnico usado hoje é tendinopatia.

Em um estudo holandês com quase 58 mil pessoas acompanhadas na atenção primária, a tendinopatia no meio do tendão apareceu em 2,35 a cada 1.000 adultos de 21 a 60 anos por ano, e só 35% dos casos tinham relação com esporte, o que mostra que ela também aparece em quem não treina. Entre corredores, uma revisão de estudos coordenada por pesquisadores brasileiros encontrou incidência de 9,1% a 10,9%.

Modelo anatômico do pé e do tornozelo, com ossos e tendões

Tendinite no meio do tendão ou entesopatia do calcâneo

A dor pode estar em dois pontos diferentes do tendão, e isso muda o tratamento.

  • No meio do tendão (tendinopatia não insercional): a dor fica alguns centímetros acima do calcanhar, às vezes com um espessamento que dá para sentir com os dedos. É mais comum em pessoas ativas, principalmente corredores.
  • Na inserção no calcanhar (entesopatia do calcâneo ou tendinopatia insercional): a dor fica exatamente onde o tendão se prende ao osso, na parte de trás do calcanhar. Pode vir junto com um esporão nessa região e com a proeminência óssea chamada deformidade de Haglund, que atrita no contraforte do sapato. A panturrilha encurtada é uma causa frequente.

Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS), a forma insercional pode aparecer com qualquer nível de atividade física, embora continue mais comum em corredores.

Por que ela aparece

A causa mais comum é um aumento de carga maior do que o tendão estava preparado para receber. A AAOS aponta como fatores:

  • aumento rápido de distância, velocidade ou frequência de treino, ou a inclusão de subidas;
  • troca de calçado;
  • panturrilha encurtada;
  • deformidade de Haglund, no caso da forma insercional.

Um cenário comum é voltar a correr ou a jogar bola depois de um tempo parado, no mesmo ritmo de antes.

Sintomas

Os sintomas mais comuns, segundo a AAOS, são:

  • dor e rigidez atrás do tornozelo ao acordar, que melhoram depois dos primeiros passos;
  • dor que piora no início da atividade ou no dia seguinte ao treino;
  • tendão mais grosso e sensível ao toque;
  • dor no calcanhar que piora com o sapato fechado, na forma insercional.

Um estalo forte atrás do tornozelo, como se alguém tivesse chutado a perna, seguido de dificuldade para ficar na ponta do pé, pode indicar ruptura do tendão. Nesse caso, a avaliação deve ser imediata.

Quando procurar o ortopedista

Vale marcar uma avaliação quando:

  • a dor dura mais de duas ou três semanas mesmo com redução do treino;
  • a rigidez pela manhã se repete todos os dias;
  • o tendão está visivelmente mais grosso;
  • a dor atrapalha a caminhada, o trabalho ou o esporte;
  • houve estalo, com dor súbita e fraqueza para andar (nesse caso, procure atendimento no mesmo dia).

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é clínico, feito com a história e o exame do tendão. Na consulta, o Dr. Pedro palpa o tendão para localizar a dor, avalia a força e a flexibilidade da panturrilha e observa a pisada.

Exames de imagem ajudam em situações específicas. A radiografia mostra esporão e a deformidade de Haglund na forma insercional. O ultrassom e a ressonância mostram a espessura do tendão e se há ruptura parcial.

Dr. Pedro Barreto segurando um tênis de corrida numa loja de esportes

Tratamento sem cirurgia

O tratamento começa sem cirurgia, e a AAOS registra que a maioria das pessoas melhora com ele, embora a melhora possa levar meses. A base é o exercício de fortalecimento da panturrilha.

Exercícios de carga. A diretriz de 2018 da seção de ortopedia da Associação Americana de Fisioterapia recomenda o fortalecimento progressivo da panturrilha, em exercícios excêntricos (descer o calcanhar devagar a partir da ponta do pé) ou com carga pesada e lenta, pelo menos duas vezes por semana e dentro de um nível de dor tolerável. O protocolo mais estudado dura 12 semanas, e a resposta de cada pessoa depende da gravidade e da constância nos exercícios. Na forma insercional, o exercício costuma ser adaptado para não levar o calcanhar abaixo do degrau.

Ajuste da carga. Reduzir o volume e a intensidade do treino sem parar tudo, trocar a corrida por bicicleta ou natação por um período e retomar de forma gradual.

Outros cuidados que a AAOS lista:

  • gelo depois da atividade;
  • anti-inflamatório por períodos curtos, com orientação médica;
  • alongamento da panturrilha;
  • calcanheira (elevação do calcanhar), que diminui a tensão no tendão;
  • sapato mais macio ou aberto atrás, na forma insercional, para o calçado não atritar no calcanhar.

Ondas de choque. A terapia por ondas de choque aparece na lista de opções da AAOS. A diretriz de 2018 não faz recomendação formal sobre ela, porque o procedimento fica fora do campo da fisioterapia, e se limita a resumir os estudos, em que os resultados favoráveis vêm do uso junto com os exercícios e o efeito do uso isolado não é claro. A evidência mais recente é desfavorável. Uma revisão com metanálise de 2026, que reuniu 9 estudos randomizados e 557 pacientes, não encontrou benefício clinicamente relevante das ondas de choque em relação ao tratamento simulado, nem na forma insercional nem na do meio do tendão, e os autores concluíram que ela não deve ser usada como tratamento de rotina. Em nenhuma situação ela substitui os exercícios.

Quando a cirurgia é indicada

A cirurgia só deve ser considerada quando a dor não melhora depois de 6 meses de tratamento sem cirurgia, segundo a AAOS. A técnica depende do ponto doente e do estado do tendão:

  • alongamento da panturrilha (recessão do gastrocnêmio), quando o encurtamento é o principal fator;
  • limpeza da parte degenerada do tendão e reparo;
  • retirada do esporão e da deformidade de Haglund, na forma insercional;
  • transferência de outro tendão para reforçar o Aquiles, quando mais da metade dele precisa ser retirada.

Os números da AAOS ajudam a ter expectativas realistas, e vêm de estudos publicados, sem representar um caso individual. Os estudos citados por ela registram retorno ao nível de atividade anterior em até 75% dos pacientes e satisfação em até 90%, mas de 20% a 30% continuam com alguma dor depois da cirurgia. A recuperação completa pode levar até 12 meses.

Como evitar que volte

A tendinopatia volta com frequência quando a carga sobe rápido de novo. O que ajuda:

  • manter os exercícios de panturrilha duas a três vezes por semana depois da melhora;
  • aumentar distância e intensidade de forma gradual;
  • fazer a troca de tênis aos poucos, alternando com o antigo;
  • respeitar a dor do dia seguinte como sinal de que a carga passou do ponto.

Perguntas frequentes

Tendinite de Aquiles melhora sem cirurgia?

Na maioria dos casos, sim, segundo a AAOS, com o programa de exercícios e o ajuste da carga, que costuma durar cerca de 12 semanas. Em quem não melhora depois de 6 meses de tratamento bem feito, a cirurgia passa a ser discutida.

Posso continuar correndo com dor no tendão de Aquiles?

Muitas vezes, sim, com volume menor e dentro de uma dor leve que não piora no dia seguinte. Parar por completo por muito tempo tende a enfraquecer o tendão. O ajuste é individual e é feito na consulta.

Qual a diferença entre tendinite e entesopatia do calcâneo?

A tendinite, ou tendinopatia do meio do tendão, dói alguns centímetros acima do calcanhar. A entesopatia é a dor no ponto onde o tendão se prende ao osso do calcanhar, muitas vezes com esporão ou deformidade de Haglund. Os exercícios e a cirurgia, quando indicada, são diferentes nos dois casos.

Precisa de ressonância?

Nem sempre. O diagnóstico é feito no exame físico. A radiografia, o ultrassom ou a ressonância entram quando há dúvida, suspeita de ruptura ou planejamento de cirurgia.

Infiltração ajuda na tendinite de Aquiles?

A base do tratamento é o exercício. A AAOS não recomenda a infiltração de corticoide no tendão de Aquiles, porque ela pode levar à ruptura do tendão. Qualquer procedimento complementar é discutido na consulta, conforme o tipo de lesão e a resposta aos exercícios.

Quando a dor atrás do tornozelo é grave?

Quando vem com estalo, dor súbita e dificuldade para ficar na ponta do pé, porque pode ser ruptura. Nesse caso, procure atendimento no mesmo dia.

Qual médico trata dor no tendão de Aquiles?

O ortopedista, e os casos que chegam à cirurgia costumam ser tratados por quem atua em cirurgia do pé e tornozelo. O fisioterapeuta participa do programa de exercícios.

Sobre o Dr. Pedro Barreto

Ortopedista e traumatologista com atuação em cirurgia do pé e tornozelo em Campos dos Goytacazes. Residência no Hospital Naval Marcílio Dias, passagem pelo HC FMUSP na área de Medicina Esportiva e fellowship em cirurgia do pé e tornozelo no Hospital Municipal Lourenço Jorge. Membro titular da SBOT. Atende na Neortho, no Centro.

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Referências

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  2. Martin RL et al. Achilles Pain, Stiffness, and Muscle Power Deficits: Midportion Achilles Tendinopathy Revision 2018. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, 2018 (diretriz clínica). www.jospt.org/doi/10.2519/jospt.2018.0302
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  4. Lopes AD, Hespanhol Junior LC, Yeung SS, Costa LO. What are the main running-related musculoskeletal injuries? A Systematic Review. Sports Medicine, 2012. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22827721/
  5. Alfredson H et al. Heavy-load eccentric calf muscle training for the treatment of chronic Achilles tendinosis. American Journal of Sports Medicine, 1998. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/9617396/
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Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. A indicação de tratamento depende da avaliação individual.

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