A fascite plantar é a causa mais comum de dor embaixo do calcanhar em adultos. O sinal típico é a dor forte nos primeiros passos da manhã, que alivia depois de caminhar um pouco e volta no fim do dia. O tratamento sem cirurgia (alongamento, calçado, palmilha e ajuste de atividade) alivia ou controla a dor na maioria das pessoas. Em Campos dos Goytacazes, o Dr. Pedro Barreto avalia e trata a fascite plantar na Neortho.
O que é a fascite plantar
A fascite plantar é a lesão da fáscia plantar, uma faixa firme de tecido que liga o calcanhar à base dos dedos e sustenta o arco do pé. Com sobrecarga repetida, a fáscia sofre pequenas lesões perto de onde se prende no calcanhar, e a região fica dolorida ao pisar.
Apesar do nome, o que os exames de tecido mostram na maioria dos casos é um desgaste da fáscia, com pouca inflamação. Por isso, parte da literatura prefere o termo fasciopatia plantar.
É um problema frequente. Estima-se que cerca de 1 em cada 10 pessoas terá fascite plantar em algum momento da vida, e até um terço dos casos atinge os dois pés.

Por que o calcanhar dói ao acordar
A dor no calcanhar ao acordar acontece porque a fáscia fica encurtada durante a noite, com o pé relaxado e a ponta voltada para baixo. No primeiro passo, ela é esticada de repente sobre o ponto lesionado, e a pontada aparece.
Depois de alguns minutos caminhando, a fáscia se alonga e a dor diminui. Ela costuma voltar depois de longos períodos sentada, ao levantar da cadeira, e no fim de um dia em pé.
E o esporão de calcâneo?
O esporão de calcâneo é uma pequena projeção de osso na parte de baixo do calcanhar, vista na radiografia. Ele aparece com a tração prolongada da fáscia e dos músculos sobre o osso, e é comum em quem tem fascite.
O esporão, porém, também aparece em quem não sente nada. Num estudo com 216 pessoas acima de 62 anos, 55% tinham esporão na radiografia. Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos, a maioria das pessoas com esporão não tem dor no calcanhar, e a fascite pode ser tratada sem retirar o esporão. Num acompanhamento de até 15 anos, ter ou não esporão no início não mudou a evolução da dor.
Na prática, a radiografia ajuda a afastar outras causas de dor, e o tratamento é dirigido à fáscia.
Quem tem mais risco
Os fatores mais ligados à fascite plantar são:
- peso acima do ideal: uma revisão de 51 estudos encontrou risco cerca de 3,7 vezes maior com índice de massa corporal acima de 27, principalmente em quem não é atleta;
- panturrilha encurtada, que limita a dobra do tornozelo para cima e aumenta a tensão na fáscia;
- muitas horas em pé no trabalho;
- corrida e esportes de impacto, principalmente com aumento rápido de treino;
- pé plano ou pé cavo.
Quando a dor no calcanhar é preocupante
A dor típica da fascite piora nos primeiros passos e melhora com o movimento. Alguns sinais pedem avaliação logo, porque podem indicar outra causa:
- dor que começou depois de uma queda ou torção;
- dor que não melhora com repouso ou que acorda você à noite;
- inchaço, vermelhidão ou calor no calcanhar;
- formigamento, queimação ou dormência na sola do pé;
- dor nos dois calcanhares junto com dor em outras articulações.
Também vale marcar consulta quando a dor já dura algumas semanas e atrapalha caminhar, trabalhar ou treinar.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é feito principalmente na consulta. O Dr. Pedro conversa sobre a rotina, os calçados e o tipo de dor, e examina o pé para localizar o ponto sensível e medir o alongamento da panturrilha.
A radiografia ajuda a afastar fratura por estresse e outras causas. O ultrassom mostra a espessura da fáscia: uma revisão de 23 estudos considerou espessura acima de 4 milímetros compatível com fascite plantar. A ressonância fica para casos que não evoluem como esperado.

Tratamento sem cirurgia
O tratamento da fascite plantar é, em quase todos os casos, sem cirurgia. Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos, mais de 90% dos pacientes melhoram em até 10 meses com medidas simples. Os números vêm de estudos e não representam um caso individual.
O plano costuma combinar:
- alongamento da panturrilha e da fáscia, várias vezes ao dia, com atenção especial ao alongamento antes de sair da cama;
- calçado com bom amortecimento no calcanhar, evitando andar descalça em piso duro;
- palmilha, que funciona melhor associada aos outros cuidados do que sozinha, segundo a diretriz americana de fisioterapia de 2023;
- tala noturna por 1 a 3 meses para quem tem dor forte no primeiro passo da manhã, também recomendada por essa diretriz;
- fisioterapia, com terapia manual e fortalecimento;
- redução temporária de corrida e impacto, com volta gradual;
- controle de peso, quando for o caso;
- gelo e anti-inflamatório nas crises, com orientação médica.
A melhora costuma ser gradual, ao longo de semanas a meses. Num estudo dinamarquês com pacientes acompanhados em hospital por até 15 anos, uma parte continuou com sintomas por anos. Por isso, os cuidados com alongamento e calçado continuam mesmo depois que a dor melhora.
Ondas de choque e infiltração
Quando a dor continua depois de alguns meses de tratamento bem feito, existem opções no próprio consultório.
Ondas de choque (terapia por ondas de choque extracorpórea): o aparelho aplica pulsos de energia sobre o calcanhar, em sessões sem corte. Uma análise de 22 ensaios clínicos, com 2.299 pacientes, mostrou resultado melhor que o do tratamento simulado em todas as intensidades estudadas; na nota de dor, a vantagem apareceu nas intensidades média e alta. Os autores classificaram a certeza dessas evidências como baixa. Os números vêm de estudos e não representam um caso individual.
Infiltração com corticoide: alivia a dor no curto prazo, em geral por semanas a poucos meses. Uma revisão de 47 ensaios encontrou benefício frente a alguns tratamentos nas primeiras 6 semanas, sem vantagem depois desse período e sem diferença clara em relação a uma injeção de placebo. Entre os riscos descritos estão a ruptura da fáscia e o afinamento da gordura que amortece o calcanhar. Guiar a agulha por ultrassom permite colocar o medicamento com mais precisão. Uma revisão de 2025 que comparou a infiltração guiada com a feita às cegas encontrou, no grupo guiado, melhor tolerância à pressão no calcanhar e maior redução da espessura da fáscia, sem diferença na nota de dor. Os autores pedem cautela, porque os estudos incluídos têm qualidade limitada.
Quando a cirurgia entra
A cirurgia é reservada para quem continua com dor depois de cerca de 12 meses de tratamento sem cirurgia bem conduzido, segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos. As técnicas mais usadas são a liberação parcial da fáscia e o alongamento do músculo da panturrilha (recessão do gastrocnêmio), quando esse encurtamento é a causa principal.
Perguntas frequentes
Qual médico procurar para fascite plantar?
A fascite plantar é tratada pelo ortopedista. Casos que não melhoram com o tratamento inicial costumam ser acompanhados por quem atua em pé e tornozelo, que avalia outras causas de dor no calcanhar e as opções de tratamento no consultório.
Quando a dor no calcanhar é preocupante?
Quando começou depois de uma queda, não melhora com repouso, acorda você à noite, vem com inchaço e calor ou com formigamento na sola. Nesses casos, a avaliação deve ser rápida.
Fascite plantar tem cura?
Na maioria das pessoas, a dor melhora ou fica controlada com o tratamento sem cirurgia. Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos, mais de 90% melhoram em até 10 meses, número que vem de estudos e não representa um caso individual. A fáscia pode voltar a doer se a sobrecarga voltar, por isso o alongamento e o calçado adequado continuam depois da melhora.
Preciso tirar o esporão?
Na maioria dos casos, não. Muita gente tem esporão sem sentir dor, e o tratamento é voltado para a fáscia.
Posso continuar correndo?
Em geral, o treino é reduzido ou trocado por atividades de menor impacto na fase de dor, com volta gradual. O ajuste depende da intensidade da dor e do tipo de treino.
Palmilha resolve?
A palmilha ajuda, principalmente quando usada junto com alongamento e calçado adequado. Sozinha, tem efeito limitado segundo a diretriz americana de 2023.
Quanto tempo demora para melhorar?
Costuma levar semanas a meses. Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos, a maioria melhora em até 10 meses com tratamento simples. É um dado de estudos, e o tempo de cada pessoa varia.

Sobre o Dr. Pedro Barreto
Ortopedista e traumatologista com atuação em cirurgia do pé e tornozelo em Campos dos Goytacazes. Residência no Hospital Naval Marcílio Dias, passagem pelo HC FMUSP na área de Medicina Esportiva e fellowship em cirurgia do pé e tornozelo no Hospital Municipal Lourenço Jorge. Membro titular da SBOT. Atende na Neortho, no Centro.
Conhecer a trajetóriaReferências
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Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. A indicação de tratamento depende da avaliação individual.

