Pé plano, ou pé chato, é o pé em que o arco da sola fica baixo ou encosta no chão quando a pessoa está de pé. Na criança, ele é comum e, quando o pé é flexível e não dói, faz parte do desenvolvimento e não precisa de tratamento, segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos. No adulto, o pé plano que aparece ou piora depois dos 40 anos merece avaliação, porque costuma estar ligado a um tendão que perdeu força. Em Campos dos Goytacazes, o Dr. Pedro Barreto avalia pé plano em crianças e adultos na Neortho.
O que é o pé plano
O pé plano é o pé com o arco interno da sola rebaixado. Quando a pessoa fica de pé, a parte de dentro da sola toca o chão, e muitas vezes o calcanhar se inclina um pouco para fora.
A primeira coisa que o ortopedista observa é se o pé é flexível ou rígido:
- pé plano flexível: o arco aparece quando a pessoa fica na ponta dos pés ou está sentada, e some quando ela pisa. É o tipo mais comum;
- pé plano rígido: o arco continua baixo em qualquer posição, e o pé tem menos movimento. É bem menos frequente e sempre merece investigação.
Uma revisão de 2026 reuniu estudos populacionais que encontraram pé plano em 12% a 15% dos adultos, e a maioria nunca sente nada por causa disso.
Pé plano na criança
O pé plano é o jeito normal do pé da criança pequena. O arco se forma aos poucos ao longo da primeira década de vida, e a AAOS explica que muitas crianças só começam a formar o arco a partir dos 5 anos ou mais. Algumas nunca formam um arco marcado e seguem sem qualquer problema.
Um estudo com 835 crianças de 3 a 6 anos encontrou pé plano flexível em 44% delas. A frequência era de 54% nas crianças de 3 anos e de 24% nas de 6 anos, e o pé plano com alteração de verdade (o patológico) apareceu em menos de 1% das crianças. Os autores concluíram que mais de 90% dos tratamentos que essas crianças recebiam eram desnecessários.
A mesma tendência segue na idade escolar. A revisão de 2026 cita um estudo chinês em que a frequência foi de 39,5% aos 6 anos e de 11,8% aos 12 anos.
Quando o pé plano da criança merece avaliação
O pé plano da criança merece avaliação quando vem acompanhado de algum destes sinais:
- dor no pé, no tornozelo ou na perna que se repete, principalmente depois de brincar ou praticar esporte;
- cansaço nas pernas que faz a criança pedir colo ou parar a brincadeira com frequência;
- pé duro, em que o arco não aparece nem na ponta dos pés;
- diferença grande entre um pé e o outro;
- andar na ponta dos pés depois dos primeiros anos de caminhada;
- calos ou desgaste muito irregular do tênis.
Sem esses sinais, o pé plano de uma criança que corre, pula e brinca normalmente costuma ser apenas uma fase do crescimento. Se ficar dúvida, o pediatra ou o ortopedista podem examinar o pé e dizer se há algo a tratar.
Na consulta, o Dr. Pedro observa a criança descalça em pé, andando e na ponta dos pés, testa a flexibilidade do pé e o comprimento do tendão de Aquiles. A radiografia só é pedida quando há dor, rigidez ou alguma alteração no exame.
Tratamento do pé plano infantil
A criança com pé plano flexível que não sente dor não precisa de tratamento, segundo a AAOS. A Sociedade Norte-Americana de Ortopedia Pediátrica (POSNA) também descreve a maior parte desses casos como sem sintomas.
As palmilhas não formam o arco. Uma revisão Cochrane de 2022 reuniu 16 estudos com 1.058 crianças e não encontrou evidência que apoie o uso de palmilhas sob medida em crianças saudáveis com pé plano flexível sem dor. A AAOS acrescenta que, quando uma palmilha é indicada, os modelos prontos costumam funcionar tão bem quanto os feitos sob medida, com custo bem menor.
Quando há dor, o tratamento começa sem cirurgia:
- tênis confortável e firme no calcanhar;
- palmilha, que para a POSNA é o primeiro passo no pé plano flexível doloroso;
- alongamento da panturrilha, quando o tendão de Aquiles está encurtado;
- fisioterapia ou, em alguns casos, gesso seriado para alongar o tendão, conforme a AAOS.
O tendão de Aquiles encurtado. O encurtamento do Aquiles puxa o calcanhar para cima e pode deixar o pé plano mais doloroso. Ele também aparece em crianças que andam na ponta dos pés por muito tempo. Um estudo com quase 285 mil crianças encontrou o andar persistente na ponta dos pés em 6,3% das crianças autistas, contra 1,5% das demais. São números de estudo, que não dizem nada sobre uma criança específica. Por isso, na criança autista que anda na ponta dos pés, vale avaliar o comprimento do tendão cedo. O primeiro tratamento costuma ser o alongamento, com fisioterapia e, quando necessário, gesso.
Quando a cirurgia é considerada. A AAOS afirma que a criança com pé plano flexível quase nunca precisa de cirurgia. Ela pode ser considerada no adolescente com dor persistente, que não melhorou com o tratamento conservador, ou quando o pé fica rígido com o tempo. A revisão de 2026 registra idade média nos estudos entre 9,5 e 13,7 anos e recomenda indicação cuidadosa, para evitar tratar crianças que não precisariam.

Pé plano no adulto
O adulto pode ter pé plano desde a infância, sem nunca sentir nada, ou pode perder o arco depois de adulto. O segundo caso é o que mais preocupa.
A causa mais comum do pé plano que aparece na vida adulta é o enfraquecimento do tendão tibial posterior, que corre por dentro do tornozelo e sustenta o arco. Hoje, a condição é chamada de deformidade progressiva do pé colapsado. Segundo a AAOS, ela é mais comum em mulheres e em pessoas acima dos 40 anos, e obesidade, diabetes e pressão alta aumentam o risco. Um estudo na Inglaterra encontrou a disfunção do tibial posterior com sintomas em 3,3% das mulheres acima dos 40 anos, e nenhuma delas tinha diagnóstico antes da pesquisa.
Os sinais mais comuns, segundo a AAOS, são:
- dor e inchaço na parte de dentro do tornozelo e do arco;
- arco que vai baixando, às vezes mais em um pé que no outro;
- calcanhar que se inclina para fora;
- cansaço e dor para caminhar, ficar muito tempo em pé ou fazer exercício de impacto;
- com o avanço, dor também na parte de fora do tornozelo.
Vale procurar avaliação logo nos primeiros sinais, porque a condição pode avançar com o tempo e o tratamento é escolhido conforme a fase em que ela está.
Tratamento do pé plano no adulto
O adulto com pé plano sem dor não precisa de tratamento. Quando há dor, a AAOS indica começar sem cirurgia:
- repouso das atividades que pioram a dor e gelo;
- anti-inflamatório por período curto, com orientação médica;
- palmilha sob medida ou órtese de tornozelo, para apoiar o arco;
- fisioterapia, com fortalecimento do tendão tibial posterior.
A melhora leva tempo. A AAOS avisa que a dor pode durar mais de 3 meses mesmo com tratamento precoce e, nos casos antigos, mais 6 meses depois do início do tratamento.
A cirurgia é indicada quando o tratamento conservador não controla a dor. As opções incluem limpeza e transferência de tendão, reparo de ligamentos, osteotomias para realinhar o calcanhar e, nos casos mais avançados, artrodese (fusão) de articulações do retropé. Segundo a AAOS, a recuperação completa pode levar 6 meses ou mais.
Perguntas frequentes
Pé chato em criança é normal?
Na maioria das vezes, sim. O arco se forma ao longo da infância, e o pé plano flexível que não dói não precisa de tratamento, segundo a AAOS.
Com que idade o arco do pé se forma?
Muitas crianças só começam a formar o arco a partir dos 5 anos. Algumas nunca formam um arco marcado, sem que isso cause problema.
Palmilha corrige pé chato em criança?
Não há evidência de que a palmilha forme o arco. A revisão Cochrane de 2022 não encontrou benefício da palmilha sob medida em criança com pé plano flexível sem dor. Na criança com dor, a palmilha pode ajudar a aliviar os sintomas.
Existe sapato ortopédico para pé chato infantil?
Um tênis confortável, com o calcanhar firme, é suficiente para a maioria das crianças. No estudo com 835 crianças, o pé plano foi bem menos frequente nas crianças mais velhas, e os autores consideraram desnecessária a maior parte dos tratamentos que elas recebiam.
Pé plano infantil precisa de cirurgia?
Quase nunca. A AAOS reserva a cirurgia para o adolescente com dor que não melhora com o tratamento conservador ou para o pé que se torna rígido.
Pé plano no adulto piora com o tempo?
Muitos adultos têm pé plano a vida toda sem sentir nada. O pé plano que aparece depois dos 40 anos, ligado ao tendão tibial posterior, pode piorar com o tempo e deve ser avaliado.
Qual médico trata pé plano?
O pé plano é tratado pelo ortopedista. Na criança, o ortopedista pediátrico ou o ortopedista que atua em pé e tornozelo fazem a avaliação, e no adulto a cirurgia costuma ser feita por quem atua em cirurgia do pé e tornozelo.

Sobre o Dr. Pedro Barreto
Ortopedista e traumatologista com atuação em cirurgia do pé e tornozelo em Campos dos Goytacazes. Residência no Hospital Naval Marcílio Dias, passagem pelo HC FMUSP na área de Medicina Esportiva e fellowship em cirurgia do pé e tornozelo no Hospital Municipal Lourenço Jorge. Membro titular da SBOT. Atende na Neortho, no Centro.
Conhecer a trajetóriaReferências
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- Pediatric Orthopaedic Society of North America (POSNA), Study Guide: Flat Feet (Acquired Flexible Flat Feet). posna.org/physician-education/study-guide/flat-feet-(acquire…
- Evans AM, Rome K, Carroll M, Hawke F. Foot orthoses for treating paediatric flat feet. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2022 (16 estudos, 1.058 crianças). pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35029841/
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Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. A indicação de tratamento depende da avaliação individual.

