O joanete no dedinho do pé é uma saliência na lateral de fora do pé, na base do quinto dedo, que dói quando roça no sapato. O nome médico é bunionete, e ele também é chamado de joanete do alfaiate. Na maioria das pessoas, sapato mais largo, protetores e palmilhas aliviam a dor, e a cirurgia fica para quem continua com dor apesar desses cuidados. Em Campos dos Goytacazes, o Dr. Pedro Barreto avalia e trata o joanete do dedinho na Neortho.
O que é o joanete do dedinho
O joanete do dedinho é o desvio do quinto metatarso, o osso longo que termina na base do dedinho. A cabeça desse osso se projeta para fora, enquanto o dedinho se inclina na direção dos outros dedos. O resultado é um calombo na borda externa do pé, exatamente no ponto que encosta na lateral do sapato.
Ele funciona como o espelho do joanete do dedão. A Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS) descreve o bunionete como muito parecido com o joanete, com a diferença de ficar do lado de fora do pé. Sobre a saliência podem aparecer uma bursite (inflamação de uma bolsa de líquido que protege o osso) e um calo duro.
O apelido joanete do alfaiate vem de uma época em que os alfaiates trabalhavam sentados de pernas cruzadas, com a borda externa do pé apoiada no chão por horas.
Por que ele aparece
O joanete do dedinho aparece, na maior parte das vezes, pelo formato do próprio pé. Uma revisão publicada em 2020 descreve três tipos:
- cabeça do quinto metatarso mais larga que o normal;
- osso do quinto metatarso arqueado para fora;
- ângulo aumentado entre o quarto e o quinto metatarsos, o tipo mais comum entre as pessoas que têm dor.
A mesma revisão mostra que ele é mais frequente nas mulheres, com proporções que variam de 2 a 10 mulheres para cada homem nos estudos, e que muitas vezes aparece nos dois pés. O sapato de bico fino não cria o formato do osso, mas aperta a saliência e costuma ser o que faz o calombo começar a doer.

Diferença entre o joanete do dedinho e o joanete do dedão
Os dois são desvios de um metatarso, só que em lados opostos do pé. O joanete do dedão, ou hálux valgo, forma a saliência na borda interna, na base do dedão. O joanete do dedinho forma a saliência na borda externa, na base do quinto dedo.
Os dois podem aparecer juntos, e aí o pé fica mais largo na frente, com dor dos dois lados no sapato fechado. Quando isso acontece, a avaliação e o planejamento do tratamento consideram o pé inteiro.
Sintomas
Os sintomas mais comuns são:
- dor na borda externa do pé, na base do dedinho, que piora com sapato fechado;
- vermelhidão e inchaço sobre a saliência;
- calo duro na lateral do dedinho;
- em alguns casos, dor na planta do pé, embaixo do quinto dedo, com calo nessa região.
Muita gente percebe o problema quando o tênis de academia ou o sapato social começam a machucar sempre no mesmo ponto.
Quando procurar o ortopedista
Vale marcar uma avaliação quando a saliência dói com frequência, quando o calo volta mesmo depois de lixado ou quando fica difícil encontrar sapato que não machuque. Quem tem diabetes ou má circulação e percebe uma ferida sobre o calombo deve procurar atendimento logo.
Na consulta, o Dr. Pedro examina o pé em pé e deitado e pede radiografia com apoio. A radiografia mostra qual dos três tipos de desvio está presente, e essa informação orienta o tratamento.
Tratamento sem cirurgia
O tratamento começa sempre pelo calçado e pela proteção da saliência. Segundo a revisão de 2020 e a revisão de 2026 sobre o tema, as medidas de primeira linha são:
- sapato com a frente larga e macia, que não comprima a lateral do pé;
- protetores de silicone ou gel sobre o calombo;
- palmilhas, quando a pisada contribui para a pressão na região;
- cuidado do calo, sem cortes caseiros;
- anti-inflamatório nas crises, com orientação médica.
Essas medidas não mudam a posição do osso, mas tiram a pressão e costumam aliviar a dor. A revisão de 2020 cita estudos em que a maioria das pessoas com bunionete dolorido melhorou sem cirurgia. A revisão de 2026 lembra que ainda faltam estudos de longo prazo sobre esse alívio.
Quando a cirurgia é indicada
A cirurgia é indicada quando a dor continua apesar do calçado adequado e dos protetores. O tamanho do calombo sozinho não é motivo para operar.
A correção costuma ser feita por uma osteotomia, que é um corte controlado no quinto metatarso para reposicionar o osso. A técnica muda conforme o tipo de desvio, e o corte pode ser feito perto da ponta do osso, no meio dele ou mais perto da base.
A técnica percutânea (minimamente invasiva) também é usada no joanete do dedinho, por incisões de poucos milímetros. Uma revisão sistemática de 2024 reuniu 18 estudos, com 714 pés operados por essa técnica, e encontrou melhora da dor, da função e do alinhamento no raio-x em todos os estudos. As complicações variaram de 0% a 21,4% entre os trabalhos, e a mais comum foi um calo ósseo mais volumoso no local do corte, que tendeu a diminuir com o tempo sem nova cirurgia. O osso deixou de consolidar em 0% a 5,6% dos casos. Os autores lembram que ainda faltam estudos comparando diretamente a técnica percutânea com a aberta. Os números vêm de estudos publicados e não representam o resultado de um caso individual.
A revisão publicada em 2026 sugere que a técnica minimamente invasiva pode ter menos problemas de cicatrização e com o material de fixação do que a cirurgia aberta, com a ressalva de que faltam estudos comparando diretamente as duas. As duas técnicas são opções válidas, e a escolha depende do tipo de desvio.
Como é a recuperação
A recuperação costuma ser feita com uma sandália pós-operatória de sola rígida nas primeiras semanas, e a volta ao sapato fechado é gradual. O cronograma depende da técnica, de o dedão ter sido operado junto e da cicatrização do osso, avaliada nas radiografias de retorno.
Perguntas frequentes
Joanete no dedinho é a mesma coisa que joanete?
É uma condição parecida, do outro lado do pé. O joanete comum fica na base do dedão, e o do dedinho fica na base do quinto dedo, na borda externa.
Por que se chama joanete do alfaiate?
Porque os alfaiates trabalhavam sentados de pernas cruzadas, com a borda externa do pé pressionada contra o chão, e a saliência era frequente entre eles.
Joanete no dedinho tem tratamento sem cirurgia?
Na maioria dos casos, sim. Sapato mais largo, protetores de silicone e palmilhas costumam aliviar a dor. Eles não corrigem o desvio do osso.
Lixar ou cortar o calo resolve?
Alivia por pouco tempo, porque o calo se forma pela pressão do osso contra o sapato. Enquanto a pressão continuar, ele volta. Cortes caseiros também trazem risco de ferida e infecção.
Dá para operar o joanete do dedinho junto com o do dedão?
Dá, quando o Dr. Pedro avalia que é seguro para o caso. A decisão considera o grau dos dois desvios e a recuperação esperada.
Qual médico trata joanete no dedinho?
O joanete do dedinho é tratado pelo ortopedista, e a cirurgia costuma ser feita por quem atua em cirurgia do pé e tornozelo.

Sobre o Dr. Pedro Barreto
Ortopedista e traumatologista com atuação em cirurgia do pé e tornozelo em Campos dos Goytacazes. Residência no Hospital Naval Marcílio Dias, passagem pelo HC FMUSP na área de Medicina Esportiva e fellowship em cirurgia do pé e tornozelo no Hospital Municipal Lourenço Jorge. Membro titular da SBOT. Atende na Neortho, no Centro.
Conhecer a trajetóriaReferências
- American Academy of Orthopaedic Surgeons, OrthoInfo: Bunions (trecho sobre bunionete). www.orthoinfo.org/en/diseases--conditions/bunions/
- Cooper MT, Granadillo VA, Coughlin MJ. The bunionette deformity: evaluation and management. Annals of Joint, 2020. aoj.amegroups.org/article/view/5529/html
- Lewis TL, Lam P, Alkhalfan Y, Ray R. Minimally Invasive Surgery For Management of Bunionette Deformity (Tailor's Bunion) Using Fifth Metatarsal Osteotomies: A Systematic Review and Meta-Analysis. Foot & Ankle Orthopaedics, 2024 (18 estudos, 714 pés). pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39086382/
- Colò G, Fusini F, Marcolli D, Testa A, Leigheb M, Surace MF. Tailor's bunion (bunionette): current concepts and outcomes of open versus minimally invasive surgery. Musculoskeletal Surgery, 2026 (publicado online em janeiro de 2026). link.springer.com/article/10.1007/s12306-025-00941-6
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. A indicação de tratamento depende da avaliação individual.

