As lesões do pé e do tornozelo mais comuns em quem corre, treina ou joga são a entorse, as tendinites (como a do tendão de Aquiles), a fascite plantar e a fratura por estresse. A maior parte costuma melhorar sem cirurgia, com ajuste de treino, fortalecimento e fisioterapia, e o diagnóstico feito cedo ajuda a ajustar o treino antes de a lesão piorar. Em Campos dos Goytacazes, o Dr. Pedro Barreto avalia e trata essas lesões na Neortho e também faz a avaliação ortopédica de quem vai começar uma atividade nova.
Para quem é esta página
Esta página é para quem corre na rua ou na esteira, faz musculação, crossfit, futebol, vôlei de praia, beach tennis ou qualquer atividade que coloque peso e impacto no pé. Vale também para quem parou há anos e quer voltar, e para quem está se preparando para a primeira prova de 5 ou 10 km. O foco aqui é o pé e o tornozelo, que recebem o impacto de cada passada.
Avaliação antes de começar uma atividade nova
A avaliação ortopédica antes de começar serve para procurar sinais que aumentam o risco de lesão quando o volume de treino sobe. Na consulta, o Dr. Pedro pergunta sobre lesões antigas, entorses que se repetem, dores que aparecem depois do treino e o plano de treino que você pretende seguir. Depois examina o pé parado e em movimento, a mobilidade do tornozelo, a força da panturrilha e o formato do arco.
Com isso, ele orienta:
- como aumentar o volume de forma gradual;
- se algum ponto do pé pede fortalecimento antes;
- se existe alguma condição (pé plano doloroso, joanete, tornozelo instável) que muda a escolha da atividade ou do calçado;
- quando um exame de imagem faz sentido.
A consulta não substitui a avaliação do cardiologista, que é quem libera o coração para o esforço, principalmente depois dos 35 anos ou em quem tem fatores de risco.

Entorse de tornozelo
A entorse é a torção do tornozelo que estica ou rompe os ligamentos, quase sempre os do lado de fora. É uma das lesões mais frequentes em esportes com salto e mudança de direção. Uma revisão de revisões publicada em 2017 encontrou evidência forte a favor do anti-inflamatório (com orientação médica) e da movimentação precoce para aliviar dor e inchaço na fase aguda, e mostrou que exercício e o uso de tornozeleira ajudam a prevenir novas torções e a instabilidade crônica, que é o tornozelo que "vira" com facilidade.
Procure avaliação se você não consegue apoiar o pé, se o inchaço é grande, se há dor no osso ou se o tornozelo continua falseando semanas depois. Saiba mais em entorse de tornozelo.
Tendinites e fascite plantar
As tendinites do pé no esporte costumam aparecer depois de um aumento rápido de treino, de uma troca de tênis ou de muita ladeira e escada. As mais comuns são:
- tendão de Aquiles, com dor atrás do tornozelo ou no ponto em que o tendão entra no calcanhar, pior ao começar a correr e na manhã seguinte (tendão de Aquiles);
- tendões fibulares, na lateral do tornozelo, comuns depois de entorses;
- tendão tibial posterior, na parte de dentro do tornozelo e do arco.
A fascite plantar é a dor embaixo do calcanhar, mais forte nos primeiros passos da manhã ou depois de ficar sentado. Em corredores, ela tende a aparecer quando o volume sobe rápido (fascite plantar).
O tratamento dessas condições começa por ajustar a carga, fortalecer a panturrilha e o pé e alongar, quase sempre com fisioterapia. Parar por completo nem sempre é necessário, e o Dr. Pedro orienta o que dá para manter enquanto o tendão se recupera.
Fratura por estresse
A fratura por estresse é uma trinca pequena no osso causada por impacto repetido, sem uma queda ou pancada. Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS), a causa mais comum é o aumento repentino da atividade: treinar mais vezes, correr distâncias maiores ou mudar de piso de uma hora para outra. Os ossos mais atingidos no pé são o segundo e o terceiro metatarsos, mas ela também aparece no calcanhar, no navicular (osso do meio do pé) e na fíbula.
A dor começa aos poucos, piora quando o pé recebe peso e melhora com o repouso. Muitas vezes a radiografia das primeiras semanas vem normal, e o diagnóstico depende do exame físico e, em alguns casos, de ressonância. A AAOS descreve que a maioria cicatriza sem cirurgia em 6 a 8 semanas, com redução do impacto e atividade alternativa, como natação ou bicicleta. Esse prazo vem de dados gerais e não representa um caso individual. Algumas localizações, como o navicular e a base do quinto metatarso, cicatrizam com mais dificuldade e às vezes precisam de bota ou cirurgia.

Dor na canela e a relação com o pé
A dor na parte de dentro da canela de quem começou a correr costuma ser a síndrome do estresse tibial medial, a famosa "canelite". Uma metanálise de 2015 com corredores e militares encontrou dois fatores de risco com associação clara: peso corporal mais alto e maior queda do arco do pé ao apoiar (o navicular desce mais quando o pé recebe carga). Por isso o exame do pé faz parte da avaliação de quem tem dor na canela.
Quando a dor fica concentrada num ponto do osso, piora a cada treino e aparece até caminhando, é preciso descartar fratura por estresse da tíbia.
Pisada pronada, supinada e neutra
Pronação é o movimento natural do pé de rolar para dentro logo depois que o calcanhar toca o chão, e é ela que ajuda a absorver o impacto. Chamamos de pisada pronada quando esse rolamento é maior, supinada quando ele é pequeno e o apoio fica na borda de fora, e neutra quando está no meio. Todo mundo prona um pouco.
A ideia de que a pisada pronada causa lesão e de que o tênis certo para cada tipo de pé evita lesão foi testada, e os resultados são mais modestos do que se costuma ouvir:
- Corredores iniciantes com tênis neutro: um estudo dinamarquês acompanhou 927 iniciantes por um ano, todos com o mesmo tênis neutro. Quem tinha pronação moderada não se machucou mais do que quem tinha pisada neutra. Os casos de pronação muito acentuada eram poucos, e o estudo não permite conclusão sobre eles.
- Tênis escolhido pelo formato do arco: três estudos com recrutas militares americanos compararam o tênis escolhido pelo arco do pé com um único modelo de estabilidade para todos. A taxa de lesão foi praticamente igual nos dois grupos.
- Tênis de controle de movimento: um ensaio com 372 corredores recreativos em Luxemburgo encontrou menos lesões ligadas à pronação (Aquiles, fascite, dor na canela e dor na frente do joelho) em quem usou tênis de controle de movimento, sem diferença nas outras lesões.
Esses resultados vêm de estudos e não representam um caso individual.
Em resumo, a pisada sozinha explica pouco do risco de lesão, e a maior parte das pessoas corre bem com tênis neutro. Em quem tem pronação acentuada, dor recorrente ligada ao arco ou pé plano doloroso, a escolha do calçado e o uso de palmilha passam a pesar mais, e aí a decisão é individual.
Como escolher o tênis
Pesquisadores da Universidade de Calgary propuseram, em 2015, que o conforto é o critério mais útil para escolher o tênis de corrida, porque o corpo tende a preferir o calçado que respeita o seu jeito natural de se mover. Na prática, isso vira algumas orientações:
- experimente mais de um modelo e escolha o que parece confortável desde a primeira corrida;
- se estiver trocando de tipo de tênis (mais baixo, mais macio, mais rígido), faça a transição aos poucos, alternando com o antigo;
- troque o tênis quando o solado ou o amortecimento estiverem visivelmente gastos, como recomenda a AAOS;
- aumente o volume de treino de forma gradual; a AAOS sugere algo perto de 10% por semana.
Se aparecer dor no pé que dura mais de alguns dias ou volta a cada treino, o problema raramente se resolve só trocando de tênis, e vale procurar avaliação.
Quando procurar avaliação
Marque uma consulta se:
- não consegue apoiar o pé depois de uma torção;
- a dor está num ponto do osso e piora a cada treino;
- a dor atrás do tornozelo ou embaixo do calcanhar dura mais de duas semanas;
- o tornozelo falseia com frequência;
- você vai começar uma atividade nova e já teve lesão no pé ou no tornozelo.
Dor forte e súbita atrás do tornozelo, com estalo e dificuldade para ficar na ponta do pé, pode ser ruptura do tendão de Aquiles e pede atendimento no mesmo dia.
Perguntas frequentes
Qual médico procurar para lesão no pé causada pelo esporte?
As lesões do pé e do tornozelo no esporte são avaliadas pelo ortopedista, e os casos que podem precisar de cirurgia costumam ser acompanhados por quem atua em pé e tornozelo. A fisioterapia costuma fazer parte do tratamento.
Preciso parar de correr se tenho dor no pé?
Nem sempre. Em muitas tendinites, a carga é reduzida, mas não zerada. Na suspeita de fratura por estresse, o impacto precisa parar até o diagnóstico ser feito.
Pisada pronada precisa de tênis especial?
Para a maioria dos corredores, não. Os estudos com iniciantes e com militares não mostraram mais lesão com pronação moderada nem proteção com tênis escolhido pelo formato do pé. Em pronação acentuada ou com dor ligada ao arco, a escolha é individual.
Quanto tempo leva para uma fratura por estresse cicatrizar?
A AAOS descreve que a maioria cicatriza em 6 a 8 semanas sem cirurgia. Alguns ossos demoram mais, e o retorno à corrida é liberado aos poucos.
Entorse de tornozelo precisa de raio-x?
Nem toda entorse precisa. O médico usa critérios clínicos conhecidos como regras de Ottawa: o raio-x é pedido quando há dor ao apertar pontos específicos do osso ou quando não é possível dar quatro passos logo depois da torção nem na consulta. Uma revisão de 27 estudos mostrou que, quando esses critérios dão negativo, a chance de fratura fica abaixo de 1,4%. Esse número vem de estudos e não substitui o exame de cada caso.
Posso fazer a avaliação antes de me inscrever numa prova?
Pode. O ideal é marcar algumas semanas antes do início do treino específico, para dar tempo de ajustar o que for preciso.

Sobre o Dr. Pedro Barreto
Ortopedista e traumatologista com atuação em cirurgia do pé e tornozelo em Campos dos Goytacazes. Residência no Hospital Naval Marcílio Dias, passagem pelo HC FMUSP na área de Medicina Esportiva e fellowship em cirurgia do pé e tornozelo no Hospital Municipal Lourenço Jorge. Membro titular da SBOT. Atende na Neortho, no Centro.
Conhecer a trajetóriaReferências
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Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. A indicação de tratamento depende da avaliação individual.

