A fratura de tornozelo é tratada com bota ou gesso quando o osso está no lugar e a articulação continua estável, o que acontece na maior parte dos casos. A cirurgia, com placa e parafusos, é indicada quando os ossos se deslocam ou o tornozelo fica instável. Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos, a consolidação inicial do osso leva pelo menos 6 semanas, e a completa, de 10 a 12 semanas. A volta às atividades normais costuma levar de 3 a 4 meses (prazos de referência, que não representam um caso individual). Em Campos dos Goytacazes, o Dr. Pedro Barreto avalia e trata fraturas de tornozelo na Neortho e também atende no Hospital Geral Nursing Care e no Hospital Geral Dr. Beda.
O que é a fratura de tornozelo
A fratura de tornozelo é a quebra de um ou mais ossos que formam a articulação: a ponta de baixo da tíbia, a ponta de baixo da fíbula e, às vezes, o tálus, osso do pé que se encaixa entre as duas. As saliências dos dois lados do tornozelo são chamadas de maléolos, e é neles que a maioria das fraturas acontece.
É uma fratura comum em adultos. Um estudo com toda a população da Dinamarca, de 1997 a 2018, encontrou 164 fraturas de tornozelo a cada 100 mil pessoas por ano, com incidência maior em mulheres e aumento depois dos 50 anos. Nesse estudo, 71% das fraturas eram só da fíbula (maléolo lateral), e 76% dos pacientes foram tratados sem cirurgia.

Tipos de fratura
A Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS) descreve os tipos principais:
- Fratura do maléolo lateral: só a fíbula quebra. É a mais frequente.
- Fratura bimaleolar: quebram os dois lados do tornozelo, o que costuma deixar a articulação instável.
- Fratura trimaleolar: além dos dois lados, quebra também a parte de trás da tíbia.
- Lesão da sindesmose: os ligamentos que unem a tíbia e a fíbula acima do tornozelo se rompem, com ou sem fratura associada.
O que mais pesa na decisão do tratamento é a estabilidade. Uma fratura estável mantém o tálus centrado na articulação, mesmo com o osso quebrado. Na fratura instável, o encaixe se desfaz, e o tornozelo tende a sair do lugar.
Sintomas e quando procurar atendimento
Segundo a AAOS, os sintomas mais comuns são dor forte e imediata, inchaço, roxo, dificuldade ou impossibilidade de apoiar o pé e, às vezes, deformidade.
Procure atendimento no mesmo dia se houver:
- impossibilidade de dar quatro passos;
- dor forte ao apertar o osso dos lados do tornozelo;
- deformidade visível;
- osso exposto ou ferida sobre o local da dor;
- pé frio, pálido ou dormente.
A diferença entre entorse e fratura nem sempre é clara sem exame. Os critérios que ajudam a decidir quem precisa de raio-x estão explicados na página de entorse de tornozelo.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é feito com o exame físico e o raio-x do tornozelo em três posições. Em fraturas com dúvida de estabilidade, o raio-x com apoio do peso do corpo ou com manobra de estresse mostra se a articulação se mantém centrada. A tomografia ajuda a planejar a cirurgia em fraturas com vários fragmentos, principalmente quando a parte de trás da tíbia está envolvida.
Tratamento com bota ou gesso
O tratamento sem cirurgia é indicado para fraturas estáveis, em que o osso não saiu do lugar, segundo a AAOS. A imobilização é feita com gesso ou com bota imobilizadora removível, e o médico acompanha com radiografias para confirmar que o osso continua na posição.
O tempo de imobilização tem diminuído. Em um estudo randomizado finlandês publicado no BMJ em 2019, com 247 pacientes com fratura estável isolada da fíbula, 3 semanas de gesso ou de órtese deram resultado funcional equivalente a 6 semanas de gesso após um ano.
Em pessoas acima de 60 anos, mesmo algumas fraturas instáveis podem ser tratadas com um gesso bem moldado. Em um ensaio britânico com 620 pacientes (média de 71 anos), publicado no JAMA em 2016, a função do tornozelo aos 6 meses foi equivalente entre gesso e cirurgia. A cirurgia teve mais infecção e problema de cicatrização (10% contra 1%), e o gesso teve mais consolidação fora da posição ideal no raio-x (15% contra 3%). Dos pacientes que começaram no gesso, 19% (cerca de 1 em cada 5) acabaram operados, o que o estudo previa para os casos em que o osso saía do lugar nas primeiras semanas. A escolha depende da saúde, do nível de atividade e da preferência de cada pessoa, e é feita em conjunto na consulta.

Quando a cirurgia é indicada
A cirurgia é indicada quando os fragmentos do osso se deslocaram ou quando o tornozelo está instável, segundo a AAOS. Na prática, isso inclui:
- fraturas bimaleolares e trimaleolares, na maioria dos casos;
- fratura da fíbula com o tálus fora do centro da articulação;
- lesão da sindesmose com abertura entre a tíbia e a fíbula;
- fraturas expostas, que exigem cirurgia de urgência.
O objetivo é devolver o osso à posição correta e manter a articulação centrada enquanto ele consolida, o que busca reduzir o risco de desgaste do tornozelo no futuro.
Como é a cirurgia
A cirurgia mais usada é a redução aberta com fixação interna. O cirurgião coloca os fragmentos no lugar e os fixa com placa e parafusos, que ficam por dentro, sob a pele. Quando a sindesmose está rompida, ela também é fixada, com parafuso ou com um dispositivo de fio resistente.
Se o tornozelo está muito inchado, a cirurgia pode ser adiada alguns dias até a pele permitir a incisão com segurança. Em fraturas muito instáveis, às vezes é usado primeiro um fixador externo, uma armação por fora da perna presa ao osso por pinos, que segura o tornozelo até a cirurgia com placa e parafusos.
Recuperação
A recuperação acontece em etapas, e os prazos variam com o tipo de fratura, o tratamento e a saúde de cada pessoa. Os números abaixo vêm da AAOS e de estudos publicados e não representam um caso individual. O seu cronograma é definido pelo Dr. Pedro nas consultas de retorno, conforme o raio-x mostra a consolidação.
| Etapa | Prazo de referência |
|---|---|
| Consolidação inicial do osso | pelo menos 6 semanas |
| Consolidação completa | 10 a 12 semanas |
| Dirigir, quando a fratura é no tornozelo direito | 9 a 12 semanas |
| Atividades normais do dia a dia | 3 a 4 meses |
| Recuperação completa | pode levar até 2 anos |
Volta ao esporte. Uma revisão de 2025, com 17 estudos e 1.422 pacientes operados, encontrou taxa média de volta ao esporte de 87,1% (de 64% a 100% conforme o estudo), em tempo médio de cerca de 134 dias, pouco mais de 4 meses. As fraturas mais complexas, como as trimaleolares, demoraram mais e tiveram taxas menores. Voltar a praticar esporte também é diferente de voltar ao mesmo nível: em um dos estudos incluídos, todos voltaram a jogar, mas só metade atingiu o desempenho anterior. São médias de estudos, que não representam um caso individual.
A fisioterapia ajuda a recuperar movimento, força e equilíbrio, e o inchaço no fim do dia pode continuar por meses.
Riscos e complicações
Toda forma de tratamento tem riscos, e é melhor conhecê-los antes de decidir.
- Infecção da ferida operatória: em uma revisão de 10 estudos com 8.103 cirurgias, a infecção apareceu em 7,19% dos casos. Nessa revisão, o risco foi maior em quem tem diabetes, fratura exposta ou lesão de alta energia, entre outros fatores.
- Retirada do material: em um registro nacional finlandês com 68.865 pacientes operados, 27% passaram por nova cirurgia para retirar placa ou parafusos, e esse tipo de cirurgia ficou menos frequente ao longo dos anos. Os motivos mais citados na literatura são o incômodo causado pelo material e a retirada planejada.
- Consolidação fora da posição: mais comum no tratamento com gesso em fraturas instáveis, como mostrou o ensaio do JAMA.
- Artrose do tornozelo: pode aparecer anos depois, segundo a AAOS, mesmo com tratamento bem feito, porque a fratura atinge a cartilagem da articulação.
Segundo a AAOS, fumantes, pessoas com diabetes e idosos têm risco maior de complicações da cirurgia. Esses números vêm de estudos publicados e servem de referência, sem representar um caso individual.
Perguntas frequentes
Toda fratura de tornozelo precisa de cirurgia?
Não. No estudo dinamarquês com toda a população, 76% foram tratadas sem cirurgia. A cirurgia é indicada quando o osso sai do lugar ou a articulação fica instável.
Quanto tempo fico de bota ou gesso?
Depende da fratura. Em fraturas estáveis isoladas da fíbula, um estudo randomizado mostrou que 3 semanas de gesso ou órtese deram resultado equivalente a 6 semanas. Em fraturas operadas ou mais complexas, o tempo costuma ser maior.
Quando posso pisar depois da cirurgia de fratura de tornozelo?
O apoio é liberado aos poucos, conforme a fixação e a consolidação do osso. A liberação é individual e feita nos retornos.
Vou precisar tirar a placa e os parafusos?
Na maioria das vezes, não. No registro finlandês, 27% dos operados retiraram o material. Os motivos mais citados na literatura são o incômodo causado pelo material e a retirada planejada.
Quando volto a dirigir?
Na fratura do tornozelo direito, a AAOS cita de 9 a 12 semanas, que é o tempo para conseguir frear com força e segurança. É um prazo de referência dos estudos, e a liberação é individual, feita na consulta.
Quando volto a correr ou jogar bola?
Na revisão de 1.422 pacientes operados, o tempo médio de volta ao esporte foi de cerca de 4 meses, com prazos maiores nas fraturas complexas. É uma média de estudos e não representa um caso individual.
A fratura pode deixar sequela?
Pode. A AAOS cita a artrose do tornozelo anos depois como possível consequência. O tratamento busca devolver o encaixe da articulação para reduzir esse risco.
Qual médico trata fratura de tornozelo?
O ortopedista e traumatologista. Nas fraturas mais complexas e nas sequelas, o cuidado pode envolver também quem atua em cirurgia do pé e tornozelo.

Sobre o Dr. Pedro Barreto
Ortopedista e traumatologista com atuação em cirurgia do pé e tornozelo em Campos dos Goytacazes. Residência no Hospital Naval Marcílio Dias, passagem pelo HC FMUSP na área de Medicina Esportiva e fellowship em cirurgia do pé e tornozelo no Hospital Municipal Lourenço Jorge. Membro titular da SBOT. Atende na Neortho, no Centro.
Conhecer a trajetóriaReferências
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Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. A indicação de tratamento depende da avaliação individual.

