Salto alto causa joanete, ou ele pesa mais em quem já tem tendência de família? Os estudos mostram as duas coisas ao mesmo tempo. O salto alto e, principalmente, o sapato de bico fino aumentam o risco de joanete, mas não agem sozinhos, porque até 70% das pessoas com joanete têm alguém na família com o mesmo problema. Trocar o calçado ajuda a aliviar a dor e a proteger o pé, e ter usado scarpin por anos não significa que a culpa seja sua. Em Campos dos Goytacazes, o Dr. Pedro Barreto avalia e trata o joanete na Neortho.
O que os estudos dizem sobre salto e joanete
O salto alto está associado a um risco maior de joanete, mas é um fator entre vários. Uma revisão de 2026, que reuniu 23 estudos, calculou que quem usa salto alto tem cerca de 65% mais chance de ter joanete. O mesmo trabalho encontrou chance maior no sexo feminino (cerca de 2,5 vezes), com o avanço da idade, na osteoporose e no pé plano. O peso corporal, medido pelo IMC, não mostrou associação nessa revisão.
Associação quer dizer que as duas coisas aparecem juntas com mais frequência, o que é diferente de provar que uma causa a outra. Muitas mulheres usam salto a vida toda e não desenvolvem joanete, e outras têm joanete sem nunca ter usado. O joanete é comum. Um estudo que reuniu pesquisas de vários países encontrou o problema em cerca de 23% dos adultos entre 18 e 65 anos e em cerca de 36% das pessoas acima dos 65, e com frequência maior nas mulheres (30%) do que nos homens (13%).
O nome médico do joanete é hálux valgo. É o desvio do dedão na direção dos outros dedos, com a saliência na lateral do pé que encosta no sapato e dói.
O bico fino pesa mais que o salto
Nos estudos, a forma da frente do sapato aparece com mais força que a altura do salto. Na mesma revisão de 2026, o sapato de bico fino esteve ligado a mais que o dobro de risco de joanete, número maior que o do salto.
Um estudo inglês com 2.627 mulheres entre 50 e 89 anos perguntou que tipo de sapato cada uma usava em cada década da vida. Quem usou bico muito apertado entre os 20 e os 29 anos teve risco de joanete cerca de 2,7 vezes maior na idade madura. Entre os 30 e os 39 anos, o efeito também apareceu, um pouco menor. O uso de salto alto, analisado sozinho, não mostrou associação nesse estudo. A explicação é mecânica. O bico fino aperta os dedos uns contra os outros e empurra o dedão para dentro por muitas horas do dia. O salto joga o peso do corpo para a frente do pé, e a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS) lembra que ele aumenta a pressão no antepé. O scarpin reúne as duas coisas, bico fino e salto, e por isso é o sapato que mais aparece nas conversas sobre joanete.
A herança de família
A herança de família tem peso importante na origem do joanete. Segundo a AAOS, até 70% das pessoas que desenvolvem joanete têm histórico na família. O formato do pé pode se repetir entre mãe, filha e avó, e o calçado atua sobre esse terreno.
Por isso, faz pouco sentido carregar culpa pelo joanete. Se a sua mãe ou a sua avó têm joanete, o seu pé pode ter uma tendência herdada. O calçado apertado pode ter acelerado o desvio, e trocá-lo agora ajuda a aliviar a dor.
Se você já tem joanete, o que muda
Para quem já tem joanete, trocar o calçado alivia a dor e ajuda a evitar que o desvio piore, mas não desfaz a deformidade. A AAOS é clara nesse ponto: o tratamento sem cirurgia não reverte o joanete, e pode reduzir a dor e ajudar a evitar que ele avance.
Na prática, isso significa que ninguém precisa abandonar o salto de uma vez para sempre. O que ajuda é reservar o salto alto e o bico fino para ocasiões, e usar no dia a dia um sapato que dê espaço para os dedos. Protetores de silicone sobre a saliência e espaçadores entre os dedos também tiram a pressão do ponto que dói.

Como escolher o sapato
O sapato certo para quem tem joanete, ou quer proteger o pé, tem frente larga, salto baixo e material macio. As orientações da AAOS se resumem a:
- Bico largo e alto, com espaço para os dedos se abrirem sem encostar uns nos outros. A AAOS recomenda deixar cerca de 1 cm de folga entre o dedo mais longo e a ponta do sapato.
- Salto de até cerca de 5 cm. A AAOS orienta evitar saltos mais altos que isso. Para o dia a dia, quanto mais baixo, menor a pressão na frente do pé.
- Material macio na lateral, como couro que cede ou tecido, para não apertar a saliência.
- Evitar sapatos curtos, apertados ou de bico muito fino, mesmo os baixos. Uma sapatilha de bico fino pode apertar tanto quanto um scarpin.
Para ocasiões especiais, dá para escolher um salto mais baixo e grosso com bico arredondado, e levar um sapato confortável para trocar depois de algumas horas.
Dá para usar salto depois da cirurgia?
Na maioria dos casos, sim, é possível voltar a usar salto depois da cirurgia de joanete, de forma gradual e depois do sapato comum. Um estudo de 2026 com 90 pés operados pela técnica minimamente invasiva (percutânea) registrou estes prazos medianos:
| Calçado | Prazo mediano | Faixa mais comum |
|---|---|---|
| Sapato largo e macio | 3 semanas | 2 a 4 semanas |
| Tênis | 6 semanas | 4 a 8 semanas |
| Sapato comum | 12 semanas | 6,5 a 16 semanas |
| Salto alto | 16 semanas | 13,5 a 20,5 semanas |
Metade das pessoas voltou antes do prazo indicado e metade voltou depois. Os números vêm de estudos e não representam o resultado de um caso individual. O seu cronograma é definido pelo Dr. Pedro nas consultas de retorno, conforme a cicatrização do osso.
Vale lembrar que o pé pode continuar um pouco inchado por bastante tempo. A AAOS diz que é comum o inchaço durar de 6 meses a 1 ano depois da cirurgia de joanete, e ele pode deixar o sapato justo nesse período. A volta ao salto costuma começar por um salto baixo e largo, por poucas horas.
O cuidado com o calçado continua valendo depois da cirurgia. O uso diário de bico fino e salto alto volta a pressionar a frente do pé, e a recomendação é manter o sapato de bico largo como padrão da rotina, deixando o salto para ocasiões.
Perguntas frequentes
Salto alto causa joanete?
O salto alto aumenta o risco, mas não age sozinho. Na revisão de 2026, o salto esteve ligado a cerca de 65% mais chance de joanete, e o sapato de bico fino a mais que o dobro. A herança de família também tem peso importante.
Quem nunca usou salto pode ter joanete?
Pode. A tendência de família, o sexo feminino, a idade e o pé plano também estão ligados ao joanete.
Parar de usar salto faz o joanete diminuir?
Não. Trocar o calçado alivia a dor e ajuda a evitar que o desvio piore, mas não corrige a posição do osso. A única forma de corrigir o desvio é a cirurgia, indicada quando a dor atrapalha a rotina.
Qual a altura de salto mais segura?
A AAOS orienta evitar saltos acima de cerca de 5 cm. Para o dia a dia, quanto mais baixo e mais largo, menor a pressão na frente do pé.
Sapatilha é melhor que salto para quem tem joanete?
Depende do bico. Sapatilha de bico fino aperta os dedos tanto quanto um scarpin. O que mais protege é a frente larga, com espaço para os dedos.
Quando posso usar salto depois da cirurgia de joanete?
No estudo de referência, o prazo mediano foi de 16 semanas, variando em geral de 13,5 a 20,5. O sapato comum veio antes, por volta de 12 semanas, e a liberação é feita no retorno.
Minha filha pode herdar meu joanete?
A tendência pode passar na família. Isso não quer dizer que ela terá joanete. Não há como garantir prevenção, mas no estudo inglês o bico apertado entre os 20 e os 29 anos apareceu ligado a mais joanete depois, e o calçado de bico largo nessa fase é um cuidado razoável.

Sobre o Dr. Pedro Barreto
Ortopedista e traumatologista com atuação em cirurgia do pé e tornozelo em Campos dos Goytacazes. Residência no Hospital Naval Marcílio Dias, passagem pelo HC FMUSP na área de Medicina Esportiva e fellowship em cirurgia do pé e tornozelo no Hospital Municipal Lourenço Jorge. Membro titular da SBOT. Atende na Neortho, no Centro.
Conhecer a trajetóriaReferências
- Zhang G, Ma Y, Zhang S. Determinants and associated factors for hallux valgus: a systematic review and meta-analysis. BMC Musculoskeletal Disorders, 2026. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13425976/
- Menz HB et al. Epidemiology of Shoe Wearing Patterns Over Time in Older Women: Associations With Foot Pain and Hallux Valgus. The Journals of Gerontology: Series A, 2016. academic.oup.com/biomedgerontology/article/71/12/1682/251375…
- American Academy of Orthopaedic Surgeons, OrthoInfo: Bunions. www.orthoinfo.org/en/diseases--conditions/bunions/
- American Academy of Orthopaedic Surgeons, OrthoInfo: Bunion Surgery. www.orthoinfo.org/en/treatment/bunion-surgery/
- Nix S, Smith M, Vicenzino B. Prevalence of hallux valgus in the general population: a systematic review and meta-analysis. Journal of Foot and Ankle Research, 2010. onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1186/1757-1146-3-21
- Rojas-Toro DE et al. Return to daily and sports activities after minimally invasive transverse osteotomy and Akin (META) for Hallux Valgus: setting realistic expectations. Journal of Foot and Ankle Surgery, 2026. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42235816/
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. A indicação de tratamento depende da avaliação individual.

